sexta-feira, 27 de novembro de 2015

sem sono

Quando o corpo quer descanso
Mas a mente quer balanço,
Me ponho a escrever.
Enquanto a mente inquieta
Vaga por entre ideais,
O corpo pede pé no chão,
Seguido do conforto do colchão,
E cabeça no travesseiro,
Esse trem sem passageiro,
Está enferrujando minha linha.
E toda rima que eu tinha,
Voou em alguma pipa.


-Carlos I. Gomes

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Monólogo do sem voz



Dançando na chuva
Sem cair um pingo.
E pouco importa
Se a porta é branca
Só quero passar.

Afastem os motores,
Veículos voadores,
O meu negócio é correr.
E tenho firma reconhecida.
Sei que em qualquer partida,
Eu quem dou o tiro de largada.

Sempre dei!
O problema é que nunca me viram com a arma.
O problema é que sempre tiram alguém de cena.
O problema é que sempre tem alguém que encena.
E eu, só vivo.

Só vivo. Vivo só.
Somente com a mente que vira pó.
Quem dera tivesse alguém que cheirasse.
Mas quando me veem torcem o nariz.
Eu só queria saber que mal fiz,
Pra ser tratado como um nada.

EU-SOU-GENTE!
Às vezes da vontade de gritar.
Mas de que adianta?
Tratam-me como uma planta,
Eu nunca tenho voz.

Voz?
Quem sois vós que me atormentas?
Eu tinha um amigo.
Ninguém mais o via.
Porém, isso não era cria da minha cabeça.

Minha cabeça? Não. Não a minha.
Ele se importava comigo.
Não olhava só pro próprio umbigo.
Também gostava de dançar.

– Carlos I. Gomes.





quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Disco de vinil



Descobri um lado mais vida.
Um lado que se lança,
Um lado que dança
A trilha sonora da morte.
Um  corte aberto que não sangra.
A contundência de uma palavra pedra,
Que quebra vidros com pancadas sonoras.
Eu não sabia da força,
E nem da fraqueza que tenho.
Vi que além do desenho,
Existe folha.
Vi que além de bolha,
Existe sabão.
E que minha mão
Carregaria mais que um punhado de areia.

- Carlos Gomes. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Fogo

O fogo, já dizia Heráclito, 
É o princípio da vida. 
Fogo é movimento, 
Não é encremento, 
É essência!
Queima, esquenta, aquece, acalenta. 
Fogo é poesia. 
Encantadora, devastadora, 
Que até na sutileza, machuca. 
Assim é a poesia. Aprecie! 
E só a toque se quiser ser queimado. 
Sou mais um menino desajuizado, 
Que gosta de brincar com palavras. 
Esta que me chama, na chama, 
Que ama a noite. 
Se falo de saudade,
De amor, de vontade. 
Da natureza com sua beleza inspiradora, 
Há sempre duas pedras criadoras, 
De uma solitária fagulha. 
Fogo é paixão! 
E todo mundo um dia acende. 
Quero saber quem pretende, 
Manter-se aceso. 
Talvez o que digo não te serve, 
É que minha cabeça ferve, 
E não desperdiço fumaça! 

- Carlos Gomes. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O caos do Silêncio!


Eu gosto de parar no meio do caos. Gosto de parar pra refletir enquanto os destroços caem do meu lado. E quando vejo que o tempo é curto, e a única alternativa é correr, eu paro e caminho. Afinal de contas, é preciso aquecer antes de uma maratona. É preciso um preparo prévio. Se não, enfarta. Eu que não vou morrer do coração. Paro para tomar fôlego. E como bom maratonista, procuro conhecer o percurso antes de correr; Procuro me poupar nas subidas, e aproveitar as ladeiras; Sentir o vento no rosto. Mas pra sentir a brisa, é preciso gastar pulmão. O quão você se gasta por minutos de prazer? O suor que desce vale a pena? E quantas vezes você queimou largada, por não ter a sensatez de caminhar? Estou descompassado. Por vezes sou o silêncio no intervalo de duas notas. A sorte é que ainda sou música. Pois com três notas se faz um ACORDE!


 – Carlos Gomes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Amor, a Vida e a Morte!



Se o amor não se entende,
A vida ensina com o erro.
E se a morte causa dor,
E a dor, o desespero.
A vida traz na flor,
O renascimento de um enterro.

O enterro daquele,
Que já foi um em dois.
Do coração que se partiu,
E metade foi logo depois.

A outra metade ficou.
Foi engolida pela terra.
Fazendo nascer uma flor,
Numa noite de primavera.

E quem nunca teve o coração partido,
Não sabe de verdade o que é uma flor.
Pega, puxa, chuta e rasga,
Não sabe tratar com amor,
Aquela que já foi linda,
Não merece sofrimento nem dor.


A vida seria mais bela
Se não fosse irmã da morte.
E para livrar-se das duas,
Não adianta nem a sorte,
Daquele que ganhou na loteria,
Cheio de dinheiro no pote.

– Carlos Gomes.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Latido


Mais uma vida que se foi.
Sem explicação, sem tchau,
Ou um último oi.
Até não poderia.
Desta eu queria apenas um latido.
Desses que não precisa ser perto do ouvido,
Pra ser marcante, pra não esquecer.
Algo dentro de nós insiste em dizer:
Quem é importante não merece morrer!
Pra mim, um latido sempre importa.
Seja oque te recepciona,
Ou o que te coloca pra correr.
Um latido sempre importa.
Uma das melhores coisas é passar pela porta,
E receber uma lambida.
Ou quem sabe uma mordida,
Daquelas que te puxa pela calça só para brincar.
Afinal de contas, é isso que os amigos fazem.
Eles brincam!
Sem importar a idade,
Cor, sexo ou espécie.
Meus caros, meus amigos então morrendo!
Não porquê sou velho.
Pra falar a verdade,
Nem sei o por quê.
Não sei se vais concordar comigo,
Mas às vezes o que é mais consola,
É o som de um latido.

 – Carlos Gomes