Estranheza foi
o que senti quando me vi cruzar outro caminho. Meus trajes se confundiam entre
o novo e o velho. Éramos dois, e me via ao longe. Os passos tinham o mesmo
ritmo em caminhos opostos, e foram rapidamente mediados por uma criança. Fazia
muito tempo que eu não o via. O meu outro “eu” caminhava rumo a um lugar
deserto, pronto para ser esquecido. O caminho qu’eu seguia, era contemplado por
vozes de diferentes tons e timbres; Risadas; piadas proibidas; festas que
acabavam n’outro dia. Entretanto, quando me vi ao longe, andando com a certeza
da solidão, parei. Perguntava-me o porquê de existir um outro “eu” que não
queria seguir a mesma estrada. Até que no meio dessas highways de oposição,
surge a criança que falei anteriormente.
Não, não era um “terceiro eu”. Mas quando o vi, retrocedi. Vi também,
que meus passos iam rumo à realização de um desejo, desejo esse que mesmo sendo
meu, seguia apreensivo. Voltamos! Não chamo o ponto que voltei de “estaca
zero”, chamo de “ponto de partida”. E quando nós, ou melhor, Eu, chegamos
enfrente à criança: abrimos um sorriso!
– Carlos Gomes.
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