quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Passos...


Estranheza foi o que senti quando me vi cruzar outro caminho. Meus trajes se confundiam entre o novo e o velho. Éramos dois, e me via ao longe. Os passos tinham o mesmo ritmo em caminhos opostos, e foram rapidamente mediados por uma criança. Fazia muito tempo que eu não o via. O meu outro “eu” caminhava rumo a um lugar deserto, pronto para ser esquecido. O caminho qu’eu seguia, era contemplado por vozes de diferentes tons e timbres; Risadas; piadas proibidas; festas que acabavam n’outro dia. Entretanto, quando me vi ao longe, andando com a certeza da solidão, parei. Perguntava-me o porquê de existir um outro “eu” que não queria seguir a mesma estrada. Até que no meio dessas highways de oposição, surge a criança que falei anteriormente.  Não, não era um “terceiro eu”. Mas quando o vi, retrocedi. Vi também, que meus passos iam rumo à realização de um desejo, desejo esse que mesmo sendo meu, seguia apreensivo. Voltamos! Não chamo o ponto que voltei de “estaca zero”, chamo de “ponto de partida”. E quando nós, ou melhor, Eu, chegamos enfrente à criança: abrimos um sorriso! 

 – Carlos Gomes.

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