quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Oficina

Ecoa, porém inaudível no vazio do ser.
Reverbera intransponível sem querer.
Eu comigo,
Eu sozinho.
Mas não totalmente só.
Também existe um outro eu.
Também existe e insiste
 A cair uma lágrima.
Cai em forma de tinta
Que molha o papel.
Cai a letra,
Cai o verso,
Cai a rima,
Desmorona a poesia.
E esse jogo de vai e volta: não quero mais.
Nem mais, nem menos, nem pouco,
Tampouco nunca.
E que um simples beijo na nuca
Não me faça mudar de ideia.
Uma parte de mim chora,
A outra parte ri.
Ri da desgraça alheia como se não fosse sua.
Ri como uma sereia
Que metade mulher, metade peixe,
Não há quem a deixe
Sentir-se na completude.
Pois duas metades não se completam,
Nem mesmo se concertam,
Não somos oficina!


– Carlos I. Gomes.

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