quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Ainda...



Nas diversas tentativas de te descrever em palavras, falhei. Todas as vezes que tento te transformar em texto, fala ou poesia: tenho uma pane como resultado. É bem sabido que há coisas que não consigo explicar. Mas tu? Quase uma agulha que fura meu ego inflado. Quase uma afronta. Continuarei insistindo. Pois, uma das poucas coisas que posso afirmar, com a pequena certeza que me cabe, é que nós dois sofremos de teimosia.


 – Carlos I. Gomes. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sempre segue...



Passou bem diante dos meus lábios.
Pois os olhos já não enxergavam nada.
O vento tira o cheiro,
E o meu costumeiro olfato cansado,
Permanece calado,
Ouvindo os passos proibidos.
O vento gela o coração que queima,
O cérebro teima em dizer que é infarto.
Quase entro em colapso.
Depois de ser interrompido,
E meus sentidos voltarem à tona.
Observo a zona
Que deixaram os cacos do meu mosaico.
E já que não existe mais figura,
Olho a pintura que a realidade despiu.
Sempre levanto, se cair,
Pois o vento passa,
No que o tempo deixa seguir.

– Carlos I. Gomes.


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

sem sono

Quando o corpo quer descanso
Mas a mente quer balanço,
Me ponho a escrever.
Enquanto a mente inquieta
Vaga por entre ideais,
O corpo pede pé no chão,
Seguido do conforto do colchão,
E cabeça no travesseiro,
Esse trem sem passageiro,
Está enferrujando minha linha.
E toda rima que eu tinha,
Voou em alguma pipa.


-Carlos I. Gomes

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Monólogo do sem voz



Dançando na chuva
Sem cair um pingo.
E pouco importa
Se a porta é branca
Só quero passar.

Afastem os motores,
Veículos voadores,
O meu negócio é correr.
E tenho firma reconhecida.
Sei que em qualquer partida,
Eu quem dou o tiro de largada.

Sempre dei!
O problema é que nunca me viram com a arma.
O problema é que sempre tiram alguém de cena.
O problema é que sempre tem alguém que encena.
E eu, só vivo.

Só vivo. Vivo só.
Somente com a mente que vira pó.
Quem dera tivesse alguém que cheirasse.
Mas quando me veem torcem o nariz.
Eu só queria saber que mal fiz,
Pra ser tratado como um nada.

EU-SOU-GENTE!
Às vezes da vontade de gritar.
Mas de que adianta?
Tratam-me como uma planta,
Eu nunca tenho voz.

Voz?
Quem sois vós que me atormentas?
Eu tinha um amigo.
Ninguém mais o via.
Porém, isso não era cria da minha cabeça.

Minha cabeça? Não. Não a minha.
Ele se importava comigo.
Não olhava só pro próprio umbigo.
Também gostava de dançar.

– Carlos I. Gomes.





quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Disco de vinil



Descobri um lado mais vida.
Um lado que se lança,
Um lado que dança
A trilha sonora da morte.
Um  corte aberto que não sangra.
A contundência de uma palavra pedra,
Que quebra vidros com pancadas sonoras.
Eu não sabia da força,
E nem da fraqueza que tenho.
Vi que além do desenho,
Existe folha.
Vi que além de bolha,
Existe sabão.
E que minha mão
Carregaria mais que um punhado de areia.

- Carlos Gomes. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Fogo

O fogo, já dizia Heráclito, 
É o princípio da vida. 
Fogo é movimento, 
Não é encremento, 
É essência!
Queima, esquenta, aquece, acalenta. 
Fogo é poesia. 
Encantadora, devastadora, 
Que até na sutileza, machuca. 
Assim é a poesia. Aprecie! 
E só a toque se quiser ser queimado. 
Sou mais um menino desajuizado, 
Que gosta de brincar com palavras. 
Esta que me chama, na chama, 
Que ama a noite. 
Se falo de saudade,
De amor, de vontade. 
Da natureza com sua beleza inspiradora, 
Há sempre duas pedras criadoras, 
De uma solitária fagulha. 
Fogo é paixão! 
E todo mundo um dia acende. 
Quero saber quem pretende, 
Manter-se aceso. 
Talvez o que digo não te serve, 
É que minha cabeça ferve, 
E não desperdiço fumaça! 

- Carlos Gomes. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O caos do Silêncio!


Eu gosto de parar no meio do caos. Gosto de parar pra refletir enquanto os destroços caem do meu lado. E quando vejo que o tempo é curto, e a única alternativa é correr, eu paro e caminho. Afinal de contas, é preciso aquecer antes de uma maratona. É preciso um preparo prévio. Se não, enfarta. Eu que não vou morrer do coração. Paro para tomar fôlego. E como bom maratonista, procuro conhecer o percurso antes de correr; Procuro me poupar nas subidas, e aproveitar as ladeiras; Sentir o vento no rosto. Mas pra sentir a brisa, é preciso gastar pulmão. O quão você se gasta por minutos de prazer? O suor que desce vale a pena? E quantas vezes você queimou largada, por não ter a sensatez de caminhar? Estou descompassado. Por vezes sou o silêncio no intervalo de duas notas. A sorte é que ainda sou música. Pois com três notas se faz um ACORDE!


 – Carlos Gomes.