quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Supetão
Sabe aquela amizade de infância?
Foi construída agora.
Todo o carinho que eu deveria ter pelos do passado,
Foi cravado pelo teu carinho presente.
Confessei a ti o meu maior pecado,
E em um abraço apertado,
Me deixaste contente.
És semente!
Pois tens muito a germinar.
Em mim, estás brotando.
Ganhando cada vez mais espaço.
Não tem esquadro, régua ou compasso,
Que diga o ângulo, o comprimento ou o ritmo.
E desse barco que sou marujo,
Quanto mais limpo,
Mais estou sujo,
Te declaro: Capitã!
-Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Até a próxima!
Esbarrei nos teus cachos.
Pretos, assim como os meus,
Que feitos, assim como os teus,
Costumavam se aquietar.
Não dessa vez.
Um alvoroço.
Pareciam se alegrar com o suor derramado pela dança,
Pareciam bailar como a esperança
De jovens sonhadores.
Parecia ter a força de mil homens,
Com mais de cem cavalos de potência.
Parecia essência!
Agora espero a vez do Coco pisado.
Pra de novo escorrer o suor,
Pra de novo nós dois dá um nó,
Desses que não solta com pente.
-Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Somos
Somos gente, somos mente,
Somos corpo, quiçá espírito.
Somos grito que sussurra as
quatro cantos,
Somos prantos sorrisos e
alegrias.
Somos a construção e também
os engenheiros.
Passageiros de uma só
embarcação.
Somos vida, somos morte,
Sem precisar se sorte,
Muito menos de azar.
Os nossos braços servem de
abrigo,
Para o amigo que enfrenta a
tempestade.
Não somos metade, nem um
todo fechado,
E nem um cadeado,
Que precisa de uma chave.
Somos tantos que já nem sei
ao certo,
É como dizia Humberto:
“Somos quem podemos ser,
Sonhos que podemos ter”,
Que nunca foram,
Nem tiveram!
– Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Nunca abra uma gaveta velha! (se não quiser mudanças)
Hoje eu estava procurando uns pertences em uma gaveta
antiga, e encontrei vestígios de um atleta. Tinham medalhas do Futebol, da
Natação, e até do Jiu-Jitsu. Meus pais se enchiam de orgulho quando eu trazia
alguma para casa. Meu pai -principalmente- com a tolice de um velho babão, e a
alegria de uma criança ao ganhar jujubas, enchia a boca pra dizer que no ultimo
fim de semana, seu filho tinha conseguido uma medalha de ouro com um mergulho
perfeito.
Saindo dos esportes, todavia, continuando na ação, as medalhas
ganharam o nome de Distintivos, já que me tornei um Escoteiro. Infelizmente, o
Grupo no qual participava acabou, e levou com ele as aventuras com lenço azul e
roupa cáqui. (esqueci de mencionar que o Jiu-jitsu viera depois desta época. E
as medalhas voltaram a ter o nome de Medalhas).
Depois das artes marciais, não recebi nenhum prêmio tendo
o corpo como ferramenta, e as medalhas passaram a dormir em uma gaveta. E todo
mundo sabe que poeiras entram em quase todos os lugares. Com elas não foi
diferente. Parei e vi que apesar de ter passado pouco mais de uma hora desde o
último banho, eu também tinha poeira sobre meu corpo, e pior, a disposição
física de um enfermo(talvez agora eu tenha feito jus ao título que recebi de “Pseudo
dramático”. Nem sei o que isso significa, mas o fulano que nomeou parecia ter
uma grande convicção do que disse. Deveria ser um “Pseudo cult”). Foi isso que
vi! Vi também que a inércia nunca combinou comigo. Uma das frases que mais ouvi
na vida foi “esse menino inventa coisa”(meus pais falavam/falam, e muitas vezes
com um tom não muito satisfeito). Minha resposta sempre foi: “já existia. Só
comecei a fazer”.
Analisando meu corpo de velho que ainda nem chegou aos
vinte, vi o quão a falta de movimento afetava minha autoestima. Agora(que não
será “agora” quando você estiver lendo) escrevendo este texto, lembrei(o verbo
no pretérito indica que o “agora” já passou até para mim. O tempo ainda vai
acabar me matando!) que as ultimas vezes que coloquei meu corpo parar mexer,
foi quando segui o conselho de uma amiga: dance! Corpo e mente sorriram.
Gargalharam, na verdade. É incrível como essa separação não faz sentido algum
quando os dois estão em harmonia. Eu estava com uma mente cheia de ideias, para
um corpo cansado.
Estou longe de conseguir uma medalha como dançarino.
Realmente sou péssimo fazendo isso. Mas fico ótimo depois que faço. E é isso
que importa. As medalhas voltarão para a gaveta. Meu corpo não! Ele não cabe
mais lá. Não digo que o movimento corporal é a peça chave para um bem-estar
psíquico. Digo que essa foi a chave que encontrei pra mim, no momento. Encontre
a sua, ou as suas; Faça um chaveiro. Só não arrombe portas. Além de ser crime,
só fica bonito na ficção. Depois fica um vão aberto, e no inverno faz frio.
Agora vou parar de escrever. Amanhã terá Maracatu, depois
será Sexta, e todo mundo sabe que as noites de domingo são um saco quando não
se tem nada pra fazer. Então, me concede uma dança?
–
Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Quase um falsete
Vou improvisando enquanto o futuro não chega,
E só o que vem, é presente,
Sem em embrulho. Que descaso!
Só instrumentos que viram entulho,
Que por acaso, sopram uma nota dó.
Que venham o mi e o sol.
Que venham as terças e as quintas,
Que não venham famintas,
Mas sim, nutridas de calor.
Do teu sopro, e dedilhar.
Gostaria de conseguir planejar um futuro sem si.
Mas pra combinar com mi,
Só ti, só fá!
- Carlos I. Gomes.
E só o que vem, é presente,
Sem em embrulho. Que descaso!
Só instrumentos que viram entulho,
Que por acaso, sopram uma nota dó.
Que venham o mi e o sol.
Que venham as terças e as quintas,
Que não venham famintas,
Mas sim, nutridas de calor.
Do teu sopro, e dedilhar.
Gostaria de conseguir planejar um futuro sem si.
Mas pra combinar com mi,
Só ti, só fá!
- Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Oficina
Ecoa,
porém inaudível no vazio do ser.
Reverbera
intransponível sem querer.
Eu
comigo,
Eu
sozinho.
Mas
não totalmente só.
Também
existe um outro eu.
Também
existe e insiste
A cair uma lágrima.
Cai
em forma de tinta
Que
molha o papel.
Cai
a letra,
Cai
o verso,
Cai
a rima,
Desmorona
a poesia.
E
esse jogo de vai e volta: não quero mais.
Nem mais,
nem menos, nem pouco,
Tampouco
nunca.
E
que um simples beijo na nuca
Não
me faça mudar de ideia.
Uma
parte de mim chora,
A
outra parte ri.
Ri
da desgraça alheia como se não fosse sua.
Ri
como uma sereia
Que
metade mulher, metade peixe,
Não
há quem a deixe
Sentir-se
na completude.
Pois
duas metades não se completam,
Nem
mesmo se concertam,
Não
somos oficina!
–
Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Maria
Sem idade, mostra a carga,
De vidas passadas em um só presente.
É sensível com as palavras,
E se apaixona por belezas,
Que de tão internas,
-Para os distraídos- estão ausentes.
Tem um toque desajeitado,
Que se eu tivesse julgado,
Diria ser cômico.
E tem seus momentos trágicos.
E tem seus momentos enfáticos,
E tem seus truques, batuques, seu gingado.
Tem a bondade de Tereza,
Mas de Madre, nem os panos.
Só danos de ajudar quem talvez não mereça.
- Carlos I. Gomes.
De vidas passadas em um só presente.
É sensível com as palavras,
E se apaixona por belezas,
Que de tão internas,
-Para os distraídos- estão ausentes.
Tem um toque desajeitado,
Que se eu tivesse julgado,
Diria ser cômico.
E tem seus momentos trágicos.
E tem seus momentos enfáticos,
E tem seus truques, batuques, seu gingado.
Tem a bondade de Tereza,
Mas de Madre, nem os panos.
Só danos de ajudar quem talvez não mereça.
- Carlos I. Gomes.
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