O
carro sobe a rua deserta.
Na
certa errou de endereço.
Um
moço me pergunta o preço,
Da
casa que está para ser alugada.
Eu
falo pra ele seguir a estrada,
E
parar onde o calo aperta.
À
esquerda vejo um bando.
E
não sei se ando pra frente ou pra traz,
Quem
sabe se esse povo é capaz,
De
querer arranjar uma briga.
Uma
faca enfiada em minha barriga,
Não
são os planos para este ano.
Olho
pra frente e vejo prosperidade.
Uma
desgraça aqui e outra lá,
E
que o vento não invente de parar,
Pra
virar ar comprimido.
Que
é pra eu não virar marido,
Antes
de chegar a certa idade.
O
futuro é um troço estreito.
Que
só cabe mesmo o plano,
E
pra essa manga falta pano,
Que
dê conta do recado.
Se
vendesse tempo no mercado,
Num
ia ter dinheiro que desse mais um ano.
Teria
uma superlotação no banco.
Gente
penhorando até o filho,
Pobre
viveria como andarilho,
Esperando
ganhar na loteria.
O
mais lascado, como sempre, teria
Como
morada, um barraco no barranco.
Comparando
com hoje em dia,
Na
verdade nem mudaria tanto.
Somente
mostraria o quanto,
O
humano é um bicho tinhoso.
Não
aprendeu nada do precioso
Ensinamento
do filho de Maria.
–
Carlos Gomes
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