quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Devaneios de seis



O carro sobe a rua deserta.
Na certa errou de endereço.
Um moço me pergunta o preço,
Da casa que está para ser alugada.
Eu falo pra ele seguir a estrada,
E parar onde o calo aperta.

À esquerda vejo um bando.
E não sei se ando pra frente ou pra traz,
Quem sabe se esse povo é capaz,
De querer arranjar uma briga.
Uma faca enfiada em minha barriga,
Não são os planos para este ano.

Olho pra frente e vejo prosperidade.
Uma desgraça aqui e outra lá,
E que o vento não invente de parar,
Pra virar ar comprimido.
Que é pra eu não virar marido,
Antes de chegar a certa idade.

O futuro é um troço estreito.
Que só cabe mesmo o plano,
E pra essa manga falta pano,
Que dê conta do recado.
Se vendesse tempo no mercado,
Num ia ter dinheiro que desse mais um ano.

Teria uma superlotação no banco.
Gente penhorando até o filho,
Pobre viveria como andarilho,
Esperando ganhar na loteria.
O mais lascado, como sempre, teria
Como morada, um barraco no barranco.

Comparando com hoje em dia,
Na verdade nem mudaria tanto.
Somente mostraria o quanto,
O humano é um bicho tinhoso.
Não aprendeu nada do precioso
Ensinamento do filho de Maria.

– Carlos Gomes









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