quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Musa!



És tantas, e tão somente uma.
Tens milhares de facetas,
São varetas de um mesmo feixe.
És peixe, sereia.
És mamífero, mulher.
Tens um corpo com muitas curvas,
São uvas de varias cores.
Tens cachos volumosos,
Cabelo macio, fino, grosso, pixaim.
Coitado de mim que não sei em que curva fico.
Tu poderias muito bem me dizer.
Tu poderias facilitar as coisas.
Mas tu não és das que facilitam.
És das que agitam.
Que maldade!
Nessa de ver o circo pegar fogo,
Periga entrar em jogo a vida do palhaço.
Que saudade!
Quero te ver e nem sei como chamas.
Quero te ter e já tive.
Os dois se olharam, e olharam-se novamente,
Ficaram nessa a noite toda.
Sem essa de comer pela beira,
O olhar já gera uma conversa inteira,
A única pena é que não passa telefone,
E ficaram sem saber o nome,
Um do outro.
Que maldade!
És a da rua, do mercado,
Da padaria, do bar e do parque,
És a do embarque do navio que zarpou,
Navio que levou meu amor embora.
Tens tantos nomes que só me sobra dilema.
E problema que não cabe no poema,
É melhor parar de escrever.
Pois és tantas, e tão somente uma.


- Carlos Gomes. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário