A arte leva tempo.
E eu que apressado,
Muitas vezes desatento,
Borro as telas da experiência.
Vivências encardidas.
Sofridas com toque de véu,
Grinalda e alianças.
Todas as esperanças
De um casamento.
Desatento, deixo a noiva passar.
E o padre, enfurecido,
Disse que teria me batido,
Se não tivéssemos na igreja.
A arte leva tempo,
Leva sono, deixa insônia.
Podem tocar fogo na babilônia,
Que ela continuará de pé.
Não é Alexandria.
O Império é mais extenso.
Quanto menos durmo,
Mais penso,
Um turbilhão que se apresenta
Em meros olhos vermelhos.
Aparelhos de um corpo cansado,
Porém disposto.
Que vai na pia,
Lava o rosto,
Para pintar o próximo quadro.
Falho!
- Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 10 de março de 2016
quinta-feira, 3 de março de 2016
Errante
Aquém de qualquer sotaque.
Era do mundo,
Pro mundo,
E entendia que a vida é só
essa.
Sem pressa, tentava não
morrer.
Agora.
Tentava viver as aventuras,
Que muitas vezes não cabia
em papel
- Mesmo os de árvores
grandes -.
Iniciava uma nova jornada.
Sua granada era a
simplicidade.
Entendia que armaduras
tiravam a mobilidade,
E que o não uso delas
O deixava vulnerável.
Resolveu aprender a lutar.
Esquivar faz parte,
Criança faz arte,
Artista faz comercio.
Ele, na sua inocência,
Caiu na quase demência,
De procurar profundezas,
Velejando em lagos rasos.
De procurar em miudezas,
Amores, e não, afagos.
Outrora,
Se via seco,
Se via estreito.
Sua saída tinha um beco.
– Carlos I. Gomes.
terça-feira, 1 de março de 2016
Da lama ao caos
A ordem nunca produziu nada, além de réplicas. O novo,
para nascer, precisa do caos. Qualquer nascimento, é necessariamente
conturbado. Desde uma planta, a um poema; desde uma criança, à uma descoberta
científica. A vida é caótica por natureza.
Milhares de anos atrás, o elemento fogo foi percebido pelo Homem, e
usado como instrumento. E esse achado mudou totalmente o nosso modo de agir, de
pensar, de comer, e modificou inclusive o nosso corpo – já que agora a carne
passou a ser assada, e tornou-se macia. Portanto, mais fácil de ser mastigada.
Acabou a necessidade de mandíbulas tão protuberantes -. Além de modificar o
aparelho digestório. O fogo, que hoje sai de um simples aperto no botão de um
isqueiro, ontem, foi originário de uma revolução. Ele não existia só para os
humanos, mas também para os outros animais. Porém, o caos da natureza, que para
os outros animais, é ordem, para nós, é revolução.
Apenas nós vemos, e muitas vezes,
criamos o extraordinário. Para eles, sempre mais do mesmo. Nós até nos
deslumbramos com a “simples” metamorfose da lagarta que vira borboleta. Apesar
de ser de fato fascinante, é comum. Acontece aos montes. Incomuns são as obras
de Niemeyer; os bonecos de Vitalino; os escritos de João Cabral de Melo Neto;
as sinfonias de Bethoven... A lista não cabe em papel. Mas por que a
metamorfose da borboleta tanto nos fascina?
Com a presença do fogo, o Homem
perdeu um denominador com a todos a todos os outros animais: O Predador! Sem
ele, passamos a habitar o topo da cadeia alimentar, e sermos o vilão de
qualquer historinha de ninar contado pela mamãe urso, aos seus filhinhos.
O fogo virou arma, proporcionou a
criação de instrumentos de caça melhores, e em consequência disso, a briga
deixou de ser pela mera sobrevivência diária. Passamos a planejar o amanhã. Sem
predadores, não há a necessidade de locomoção em curtos intervalos de tempo.
Deixamos de ser nômades, e tivemos um aumento populacional. A briga passou a
ser pelo território. A agricultura, recém nascida, precisava de terras férteis
e irrigação, para gerar seus frutos. Os humanos, recém estabilizados,
precisavam de armas para garantir que isso acontecesse. Aconteceu!
Fortificamos nossos abrigos;
domesticamos animais; expandimos nosso território, e pouco a pouco, modificamos
a natureza. Incontáveis foram as guerras. E veja que absurdo: uma luta
interespécie, tornou-se também, intra. Nos tornamos o “vizinho chato” que briga
com todo mundo. Instauramos o caos, onde tudo era ordem( por mais conturbada
que fosse). Nos tornamos donos do mundo, porém, perdemos nossa parte mundana.
É inegável que a humanidade evoluiu
em diferentes aspectos ao longo dos milênios. É inegável que as guerra
trouxeram avanços. É inegável que o caos também trás o progresso. Mudanças
surgem necessariamente de crises. É comum nos sentirmos bem ao estarmos em
contato com a natureza, respirando ar puro, tomando banho em rios, subindo em
árvores, e pisando descalço na areia fofa da praia, ou no chão de barro. Há uma
“religação”. Algo talvez de ordem espiritual. O problema é que esquecemos que
também seríamos “mais do mesmo”, se não fosse o raciocínio.
Ps.:
peguei o título emprestado do Chico Science
– Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
O Desenhista
No silêncio do escuro,
Um filete de luz se anuncia.
Se não fossem com os traços de lápis,
Talvez com a boca, falaria.
Toda via, em todas as vias
Já trafegavam carros,
Todos os dias pareciam caros,
A semana ficou falida.
É preciso saber o que se apaga,
Se é flor ou se é adaga,
Pra não comprometer o desenho.
-Carlos I. Gomes.
Um filete de luz se anuncia.
Se não fossem com os traços de lápis,
Talvez com a boca, falaria.
Toda via, em todas as vias
Já trafegavam carros,
Todos os dias pareciam caros,
A semana ficou falida.
É preciso saber o que se apaga,
Se é flor ou se é adaga,
Pra não comprometer o desenho.
-Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Supetão
Sabe aquela amizade de infância?
Foi construída agora.
Todo o carinho que eu deveria ter pelos do passado,
Foi cravado pelo teu carinho presente.
Confessei a ti o meu maior pecado,
E em um abraço apertado,
Me deixaste contente.
És semente!
Pois tens muito a germinar.
Em mim, estás brotando.
Ganhando cada vez mais espaço.
Não tem esquadro, régua ou compasso,
Que diga o ângulo, o comprimento ou o ritmo.
E desse barco que sou marujo,
Quanto mais limpo,
Mais estou sujo,
Te declaro: Capitã!
-Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Até a próxima!
Esbarrei nos teus cachos.
Pretos, assim como os meus,
Que feitos, assim como os teus,
Costumavam se aquietar.
Não dessa vez.
Um alvoroço.
Pareciam se alegrar com o suor derramado pela dança,
Pareciam bailar como a esperança
De jovens sonhadores.
Parecia ter a força de mil homens,
Com mais de cem cavalos de potência.
Parecia essência!
Agora espero a vez do Coco pisado.
Pra de novo escorrer o suor,
Pra de novo nós dois dá um nó,
Desses que não solta com pente.
-Carlos I. Gomes.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Somos
Somos gente, somos mente,
Somos corpo, quiçá espírito.
Somos grito que sussurra as
quatro cantos,
Somos prantos sorrisos e
alegrias.
Somos a construção e também
os engenheiros.
Passageiros de uma só
embarcação.
Somos vida, somos morte,
Sem precisar se sorte,
Muito menos de azar.
Os nossos braços servem de
abrigo,
Para o amigo que enfrenta a
tempestade.
Não somos metade, nem um
todo fechado,
E nem um cadeado,
Que precisa de uma chave.
Somos tantos que já nem sei
ao certo,
É como dizia Humberto:
“Somos quem podemos ser,
Sonhos que podemos ter”,
Que nunca foram,
Nem tiveram!
– Carlos I. Gomes.
Assinar:
Postagens (Atom)